Agora começo a compreender essa grande insatisfação que assola meu coração desde o ano passado. O problema não são as pessoas, nem o que elas são, nem o que elas fazem. O problema é o lugar, a posição, a forma de ver.
Na virada do ano andei tecendo comentários a respeito de uma ida ao Rei do Bacalhau e de como fiquei horrorizada com a forma de dançar e de se vestir das mulheres que frequentam lá. Critiquei a forma vulgar de se dançar, se comportar e se vestir. Comecei a criar rótulos.
Acabei criando inimizades, porque várias pessoas próximas acham bonito se vestir “periguete”. Enfim, ficou um climão. Mas isso não me abateu, comecei a pensar no que me levou a pensar daquela forma, sobre aquela situação e sobre aquelas pessoas.
Toda vez que eu tenho uma reflexão dessas, bad trip, pesada, eu começo a pensar quando tudo começou. Cheguei à conclusão que isso tudo começou quando eu comecei a fazer parte de um grupo que não era o meu. É inegável que as pessoas são todas maravilhosas, todas tem o seu valor. Mas me sentia um peixe fora d’agua porque eu o era realmente. Sempre acontecia de eu estar por fora do assunto, de não compreender o enfoque, as interações.
Daí percebi que as pessoas estavam certas, que a estranha era eu, a estranha no ninho. Por isso é que tudo me escandalizava, tudo me feria, me fazia me sentir diferente, vazia. Eu precisava voltar pro meu lugar. Sem ressentimentos, sem grandes emoções, sem transição. Só voltar, tudo como era antes.
E aqui estou eu!
Para ouvir:

Esse ano eu não vou comentar os acontecimentos jornalísticos. Eu não vou falar do 








