Viver sem romance é possível?

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Porque viver sem romance é tão chato? Sei que a vida tem um monte de outras prioridades, filhos, ganhar dinheiro, estudar, enfim, viver. Mas sem o tempero de uma paixão, o que fazer? Ter aquele último pensamento destinado para aquela pessoa, ter a expectativa de que vai encontrar, de receber uma ligação. Sorrir no meio do dia lembrando de alguma coisa que a pessoa disse.

Mas até chegar nessa parte,  tem todo um convencimento. Não da parte da pessoa, mas da sua parte. Porque a questão aqui não é a correspondência, mas o romance, a paixonite. É preciso que alguma coisa naquela figura te chame atenção. É preciso surgir uma admiração.

Seus olhos vão brilhar. E não importa se a pessoa é velha, nova, bonita, feia, gorda, magra. Aos seus olhos será sempre linda. E dirá coisas que vão fazer seu coração palpitar. Mesmo que seja uma piada sem graça. E seus pensamentos irão ser ocupados por feições,  você vai copiar o modo da pessoa falar, e vai ler livros que a pessoa recomendar. Porque você quer fazer parte daquele pequeno universo.

Mas só que na verdade, nesse momento não há nada disso. Apenas você, seus discos e livros. E suas próprias idéias a respeito da vida. E suas próprias experiências e dores. E você descobre que tem uma ruga interessante. E descobre um novo livro numa visita à livraria. E conhece novas pessoas numa festa, e percebe que existem novas idéias, e novos lugares. Descobre que gosta de um sabor diferente, prova novas coisas. E se olha no espelho e tem dias que está um horror. Acorda triste. E dias que acorda bem e está linda.

A vida sem um romance não é tão ruim. Mas não tem aquele calor de pensamento no final do dia. E sim uma oração agradecendo tudo!

Quem não sabe o que procura…

Esses dias passamos pelo dia dos namorados, e não existe data mais comercial do que essa num tempo em que as relações estão tão volúveis. Percebo muitas reclamações sobre relações desgastadas, pessoas que reclamam que só vivem sozinhas, mas quando conseguem formar um par, reclamam porque perderam a liberdade. Vai entender!.

Quando eu estava solteira, eu sabia exatamente o que eu estava procurando. Mas ao contrário do que eu pensava, muitas pessoas que buscam um relacionamento, não sabem, na verdade, o que procuram, ou medem seu amor com a régua da pseudo segurança. Ter um “bom partido” tormou-se mais importante do que ter alguém para amar, ou compartilhar. Qualidades como cortesia e honestidade se tornaram obsoletas.

E eu já tinha falado sobre isso outras vezes, mas esse tipo de comportamento parece inerente a esta geração, foi evoluindo com o tempo, ou “involuindo”. Porque não vejo esse tipo de atitude como vantajosa. Medir o valor de uma pessoa pessoa pelo que ela pode lhe proporcionar não é uma das coisas mais virtuosas. Mas a verdade é que todo mundo se junta por interesse. Veja meu caso: eu tenho total interesse no meu marido, interesse de que ele seja feliz, interesse nas coisas que ele faz, que ele fala, interesse em quem ele é e nas coisas que o amor dele por mim me proporciona. Mas nada material, só afetivo.

 Os casais já formados que me cercam sao todos muito sólidos no que tange à sentimento. Mesmo os casais bem jovens tem um amor sólido, sem traição, vivem para suas vidas e para a vida de seu par incondicionalmente. Sem perder a individualidade, sem perder o senso de quem se é, nunca desrespeitando a família que criaram e nada do que fazem diminui quem são. Paradoxalmente, na mesma medida que percebo que as pessoas solteiras estão com dificuldade de conseguir alguém para se amarrar, percebo uma enorme solidez nos casais jovens, que se uniram dos anos 90 pra cá.

 Nesse dia dos namorados eu percebi que em nenhum tempo da minha vida eu me senti tão bem comigo mesma. Porque (sem desmerecer os relacionamentos anteriores pois tiveram seu valor) me sinto realmente amada. E dessa vez não é volúvel, dessa vez não é oportunismo, dessa vez não estou sendo usada, dessa vez é de verdade.

E por mais que eu observe que algumas pessoas tem como conceito uma forma equivocada de procurar uma pessoa para unir-se, isso sempre vai existir nos diversos tipos de sociedade. Só venho a lamentar por esse equívoco, pois quem não sabe o que procura, nunca percebe quando encontra!

Aff…

Ultimamente,  minha vida não tem tido nada de atraente. Fico pensando no que deu errado pelo caminho. Em quando começou a dar tudo errado. Não consigo me lembrar em nenhuma decisão certa. Eu nunca fui dessas pessoas que querem viver a vida alucinada mente, sempre fui das pessoas que trabalham. Daquelas pessoas que trabalham a vida inteira, mas é só isso.

Essa semana, mais uma vez, eu escutei a frase: você só deve se arrepender do que não fez. Mas eu vivo me arrependendo, do que eu fiz e do que não fiz. Tenho me arrependido até dos meus sonhos, são sonhos errados. Tenho me arrependido e me sentido culpada por tudo que acontece. Acho que eu to precisando chorar. Eu me sinto diferente, pois não consigo me sentir feliz. Pode ser uma imensa solidão, ou uma grande e constante insatisfação.

Me sinto sem tempo de recomeçar, me sinto velha demais pra tudo. Meu tempo anda acabando rápido demais, e para quem acha que a vida começa aos 40, eu digo que estão com tudo, porque eu com 30, não consigo ver caminhos a seguir à minha frente. Acho que eu ando tão triste, que estou perdendo as forças.

É claro que eu tenho planos, planos profissionais. Mas não tenho planos pessoais, nunca viajei, não conheço nada, estou sempre trabalhando, não vejo graça em sair á noite e não tenho mais saúde pra beber. Não tenho fraqueza pra vícios. Acho que nem sei mais como me divertir. Porque acho que isso é um exercício. Assim como a convivência, se você não tem, desaprende, vira um egoísta. Estou ficando assim, meio gagá. Falo sozinha, brigo com a tv.

No meu trabalho, trabalho sozinha, na minha casa, moro com meu filho que sempre está jogando ou no computador, ou vendo tv. Acho que um dia vou acordar e descobrir que não sei mais falar, por falta de uso.

Escrever, no entanto, saberei bem.

Solidão

Por esses dias ando com meu coração pequeno. Parece que tá guardado numa canastra de madeira. Não estou mais com problemas, estou saudável, não estou desempregada, não tenho sérios problemas, tenho uma família que me ama e um filho lido. Mas que merda de tristeza é essa que não passa? Quem maldita solidão que me assola. Que fantasma é esse  da saudade, que insiste em me assombrar?

SolidaoChicoBuarque

A vida é uma empresa

Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 - Lisboa, 30 de Novembro de 1935)

Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 - Lisboa, 30 de Novembro de 1935)

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um ‘não’.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…


(Fernando Pessoa)

Nesses dias que ando cansada do trabalho, me deparo com isso e percebo que toda nossa vida é um grande empreendimento. Eu, apaixonada por administração, trabalho com administração, e não consigo gerir bem nem minha vida nem meus sentimentos. Vivo caindo em falsetas sentimentais e presa a sensações ruins, tipo solidão.

Mesmo sabendo que a solidão é um sentimento, uma impressão, eu não consigo me ver livre dessa algema. Mesmo sabendo que se trata apenas de uma opção, ser feliz ou não, eu acabo me evolvendo nas várias atividades e esquecendo de optar. Quando vejo, o dia acabou, já vivi, mais um dia, não optei, fui fria, fui gentil, mas nem percebi…

O que realmente importa

orquidea brancaO que busca a nossa geração? Qual é o grande objetivo da nossa juventude? O que foi defendido nos anos 90, no ano 2000, e nessa década? Qual é o sonho dos nossos jovens?

Nós não lutamos pra nada, já temos a nossa liberdade! Já conseguimos o que queríamos. E agora? Era o que mesmo, hein?Orquídea lilás

Antigamente, nós trabalhadores, éramos açoitados para trabalar e dar o melhor de nós. Hoje colocamos nossos relógios para despertar, seguimos como bois nos currais da Supervia para irmos trabalhar. Sem ninguém chamar, vamos porque somos obrigados, vamos porque precisamos viver, sobreviver… e para quê? 

orquidea rosaOlho por meu filho todos os dias e digo de manhã que saio de casa e o deixo para termos uma vida melhor. Até é, mas é uma dura vida solitária, mais dolorosa que uma dor renal que me consome, consome meu humor, meu ânimo e a minha vontade de fazer qualquer coisa.

Às vezes, num tropeço do caminho, esquecemos a dor, os problemas, tomamos um chopp e esquecemos da vida real. Mas é so por alguns momentos. Mas é no fim de semana, quando estamos em casa, fugindo daquela escravidão de atenção que nos impele a produzir e pensar que conseguimos perceber que é tudo uma grande enganação.

Precisamos fingir satisfação pelo trabalho, fingir interesse por coisas que nãoorquidea pequena  estamos nem aí, até fingir um sorriso forçado pra um cliente. E quando se chega em casa, que temos que agradar e sorrir para os nossos, que estão ávidos de nós, já estmaos tão cansados que magoamos, ou no mínimo não damos importância para o que realmente importa.

Esse post é um desabafo, porque às vezes nos cansamos de representar e queremos só um descanso que nunca vem.

De volta à solidão do dia a dia…