Mais de mil palhaços no salão

Quando eu era criança eu morria de medo de bate-bola. Mas sempre amei a magia do carnaval. Perto da minha casa tinham os bailes nos clubes, onde tinham as matinês que iam na sua maioria crianças, era década de 1980, e ainda tinha Coreto na Rua Viúva Dantas. Mas quem tinha uma graninha a mais pulava carnaval nos bailinhos do Clube Campo Grande, no Luso Brasileiro ou ainda no Clube dos Aliados.

Era tempo das serpentinas, que romanticamente eram atiradas para todos os lados do salão. Tocava samba enredo mas na sua maioria as mesmas marchinhas de sempre. As crianças levavam saquinhos com confete e brincavam no salão livremente pois não eram permitidos máscaras. Tinham muitos carrascos e pais joão fantasiados. Eram tempos difíceis, de inflação, de fim da ditadura ainda velada, mas de muito romantismo.

Depois vieram os anos 1990, a liberação de várias coisas, campanha de uso de camisinha, fantasias ousadas, o carnaval agora era na Av. Cesário de Melo. Axé Music embalava o trio elétrico. Não tinham mais marchinhas, mas ainda tinham os clóvis salsichão e os clóvis chapelão, que usavam chapéus de palha em forma de cone e bolas trançadas. Os boleros com paetês colados coloriam as calçadas por onde eles passavam.

Ah, os anos 2000, foram anos violentos, predominavam as turmas de clóvis violentas, a violência foi crescendo, muitos blocos de rua morreram, coretos desapareceram, as famílias sumiram dos carnavais que eram exclusividade dos adolescentes. Lambaeróbica estava na moda, coreografias predominavam no carnaval. As fantasias diminuiram.

E nos anos 2010, os blocos de rua voltaram com tudo, mas como sempre as coisas só acontecem na zona sul, xixi na rua passou a ser crime, voltaram as músicas de bloco, sambas enredo e marchinhas. O carnaval foi devolvido às famílias. Mas não tem mais confete, não tem mais serpertina, e sim uma espuma chata e inconveniente que os pais teimam em comprar para as crianças.

E assim finda o carnaval de 2016, na minha “balzaquice”,  cheio de nostalgia e com o rosto mais nos livros do que na tv.

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Vamos Combater as pequenas corrupções

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Para quem é brasileiro, mais objetivamente, carioca, é muito difícil se livrar do “jeitinho brasileiro”. Mas o Jeitinho Brasileiro é o micro das grandes corrupções. É na verdade onde tudo começa.

O racismo, a falta de respeito com o próximo, com as mulheres começa no exemplo dentro de nossas casas. Porque a gente acha que criança é surda e muda. Mas ela repete tudo que a gente faz, repete tudo o que a gente fala, e nós vamos crescendo assim, vendo nossos amigos, os adultos que nos cercam, vendo tudo o que a sociedade (família) faz e vai criando uma identidade, um código do que é certo e o que é errado.

Eu mesma tenho dificuldade de parar no sinal vermelho porque antes de aprender a dirigir eu já via os adultos avançarem o sinal e ninguém censurar, ou seja, o grupo, a sociedade que me cercava tomava esse comportamento como normal.

E assim acontece com nossos filhos. Se você fala dentro do seu carro que mulher no trânsito é perigoso, você esta inferiorizando a mulher para seus filhos. Se você apressa o idoso, é porque você demonstra para seus filhos que o idoso não merece respeito.

Os exemplos ruins vão passando de geração em geração e posso assegurar que muitas crianças hoje, não levantam para dar lugar no ônibus, não por falta de educação mas por falta de instrução e orientação, ou seja, desconhecem totalmente a gentileza. E a falta de consideração e amor ao próximo me parece, hoje, ser a causa de tantos grandes problemas. Porque é um rio de desamor que deságua num mar de falta de consideração e desrespeito.

Enfim, eu poderia enumerar vários comportamentos errados que a gente faz e nem percebe que é errado.

A Controladoria Geral da União também faz uma campanha para acabar com as pequenas corrupções. Campanha Diga Não! Lá você pode compartilhar imagens da campanha e conscientizar seus amigos.