Tempos reais de solidariedade

Eu tenho hábito de dizer, que temos que ter o olhar treinado para ver o bem. Assim como fazemos quando queremos comprar alguma coisa, que a gente vê por todo canto.

Muito ao contrário do que as pessoas reproduziram de outubro pra cá, o mundo em geral está muito mais humano, mais gentil, mais solidário. É só treinar os olhos para ver.

Existem muitos anônimos, pessoas como eu e você, fazendo a diferença na vida de pessoas como eu e você, cotidianamente.

Muito ao contrário do que o Presidente do país mostrou em seu twitter, eu vi nas ruas, neste carnaval, uma enorme ausência de assédio, uma enorme consciência com as pessoas alcoolizadas, uma grande solidariedade.

Apesar de assistir várias pessoas se inflamando pelas redes sociais, se agredindo, destilando ódio. Nas ruas, na vida real, fora das redes, eu consigo ver amor, solidariedade, amor ao próximo.

Muitas pessoas no Twitter compartilhando que encontraram carteira, documentos, celulares e queriam encontrar o dono.

Sei que não é uma regra. Mas percebo uma grande ajuda mútua nesses tempos de grande dificuldade. E isso, eu não percebia na época que o povo gozava das benesses do Governo Lula e viajavam, compravam, e tinham bons empregos. Naquela época as pessoas eram indiferentes. Mas agora, que a dificuldade chegou para todos, sinto uma onda de amor geral.

Portanto, amigos. Não voltem seus olhos para as violências, faladas, escritas ou visuais. A gente já sabe como o mundo é cruel. Treinem seus olhos para ver amor, união e solidariedade. Ajude seu vizinho, seu amigo, ou um desconhecido. Por mais que você tenha pouco, todo mundo tem alguma coisa pra doar, mesmo que seja seu tempo pra ouvir alguém.

E se eu passar batido de uma oportunidade de ajudar, que meus olhos treinados me lembrem que é muito bom acordar todos os dias e esperar uma oportunidade pra fazer a diferença na vida de alguém positivamente. Amem!

Da boca pra fora

Quando o que sentimos, transborda no peito, temos que colocar pra fora.

Nem sempre o que se sente é amor, nem sempre o que se sente é dor, nem sempre o que se sente é mágoa. Mas quando é mágoa, magoamos. Quando é dor, choramos. Mas quando é amor, ah, o amor. Esse sim pode nos confundir os sentidos, pode nos tirar a razão, pode fazer-nos trocar as pernas, levar-nos ao desatino, e fazer vacilar a nossa consciência.

Porque se for correspondido nos traz grande efusividade, uma alegria inexplicável que não contemos no peito, nos faz sorrir até para o trem lotado, para o motorista que nos corta no trânsito. O amor correspondido nos deixa tão atordoados de felicidade que nada importa, tudo vale a pena, todo esforço empregado ainda não é o bastante, sempre queremos mais de tudo. O mundo tem sol mesmo quando está nublado.

Mas quando o amor, não é correspondido, esse amor se perde, e não existe forma de se sentir motivado a transferí-lo. Porque por mais que o sol brilhe, todos os dias estão cinzentos, por mais que se esteja numa festa, a falta da pessoa amada parece desligar a música. Não se implora atenção, não se exige amor.  É preciso que ele seja dado de bom grado, voluntariamente. E por mais que haja esforços para continuar, enquanto houver essa falta, a mágoa se cria, a dor se instala e nada mais vale a pena.

E se a boca fala do que está cheio o coração, não consigo outra coisa senão frases espinhudas de quem sorri para esconder uma lágrima.