A cultura do “Eu primeiro”

otimista

Eu sou carioca. Carioca da Zona Oeste. Nunca viajei e não conheço outra cultura senão a daqui do RJ. Fazer parte daqui é meu maior orgulho. Mas tem uma coisa me incomodando nesse “jeitinho carioca”. Como diria Adriana Calcanhoto: Cariocas são sacanas! Eu acrescentaria: são oportunistas! Claro que não sou hipocrita de dizer que nunca me favoreci em nenhuma situação. Eu já avancei sinal, já parei na calçada, já dei propina, já fingi que táva grávida pra pegar fila de gestante. E atire a primeira pedra quem nunca pecou. Mas estou meio de saco cheio dessa cultura do eu primeiro, e que se dane o resto.

Sou casada com um paulista do interior, que já morou em outros estados, e me conta que em outros lugares as pessoas não fazem metade do que as pessoas fazem aqui no RJ. Me contou que no interior de SP, as calçadas não tem buracos, ninguém estaciona nas calçadas, tem rampa para deficiente, as pessoas dão lugar no ônibus. Ninguém anda no ônibus sem camisa, as pessoas só saem de casa de calçado, não se usa chinelo o tempo todo…enfim, parece até um mundo fictício. Ele me contou que nesse mundo “perfeito”, as maternidades são humanizadas, tem quarto para as parturientes, e não enfermarias lotadas, os serviços de saúde funcionam. Eu às vezes acho que é tudo mentira, que os carros param no sinal, que a polícia prende quem anda sem capacete, que pára moto sem placa, e que a PM não fica fazendo blitz caça níquel nas estradas menos movimentadas. Mas enfim, se for verdade, ainda podemos ser um povo assim.

Queria eu que aqui no RJ fosse assim, mas eu acho que a sociedade só muda, se eu começar a mudar o comportamento das pessoas da minha casa, depois dos vizinhos, das pessoas da minha rua e assim vai crescendo.

Acredite você, outro dia liguei para a prefeitura para reclamar de um carro que parou na minha garagem, aí a guarda municipal veio e multou meu carro que estava para do no recuo da minha calçada. Isso foi o fim. É um efeito em cadeia: crianças mal orientadas se tornam adultos mal orientados, que por sua vez conseguem empregos sem estarem preparados, ocupam funções que não estão qualificados, prestando serviços ruins que podem atentar contra vidas das pessoas, e tudo isso desemboca numa sociedade inteira corrompida através dos anos e com a velha cultura do “jeitinho carioca”.

Cansei! Vou dar mais “bom dias”, já paro no sinal, já dou licença, cedo meu lugar, divido o que tenho, dou o que não uso. Já comecei minha mudança para mudar o mundo. Quero um Rio de Janeiro  que mereça o título de cidade maravilhosa não só pela beleza da cidade, mas pelo amor e educação dos cariocas!

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