A leveza da juventude

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Hoje acordei de um sonho muito bom, sonhei que era adolescente. Era daqueles sonhos que a gente tem pela manhã, bem nítidos. No sonho, era eu mesma mas com minha condição de hoje, eu olhava as pessoas de igual pra igual, eu era popular entre os meus amigos como antes, mas eu não estava abaixo, não me sentia pra baixo, eu estava magra como era antes, com o cabelo comprido como era antes, mas era o eu de hoje, acho que é o sonho da juventude de toda pessoa: juventude com maturidade.

Eu sorria muito, com a  minha melhor roupa da adolescência, uma calça jeans clara surrada, uma blusa justinha de listras e um tênis preto regazone. Minha barriga chapada não aparecia por debaixo da blusa e a calça ainda ficava folgada nas coxas. o tênis ficava até um pouco grande em comparação ao corpo, o que nem de longe acontece hoje. Encontrei no sonho muita gente como está hoje, parecia uma fenda no tempo, alguns amigos bem mais velhos e outros tão jovens quanto na adolescência, até mesmo com algumas espinhas, outros amigos, já bem sucedidos me encontravam e me cumprimentavam também por ser bem sucedida.

Eu ficava batendo papo por horas, despreocupadamente, e como eu sorria, e fazia graça como eu conseguia fazer antes, sempre dizia alguma coisa engraçada e contava histórias inventadas como eu sempre contei porque eu não tinha tantas lembranças ruins, porque eu não tinha ido à sarjeta, porque eu era jovem. E quando somos jovens temos todo um leque aberto de possibilidades. Hoje eu também tenho, tenho todas as possibilidades do mundo, mas tenho memórias que mudaram quem eu sou, tenho vivências que endureceram o meu coração, tenho muitas coisas ruim que me fizeram vir à boca o sangue de medo, tenho lembranças de dias sombrios que deixaram meu sorriso tímido, e apagaram minha imaginação para histórias inventadas.

Foi um sonho tão delicioso, foi muito bom me lembrar da sensação de liberdade que se tem em todo momento quando se é jovem, acordei sentindo cheiro de pipoca doce, cheiro de chuva, senti o corpo ágil como no passado, e durante o sonho aquela coisa  no ar de liberdade, de descompromisso que nos torna mais verdadeiros, andar de bicicleta com toda a potência nas pernas.

Mas foi ruim perceber que não consigo mais ser uma pessoa bem humorada o tempo todo, porque existem feridas que nunca se fecham, responsabilidades que nos cobram, e um passado que mudou quem eu sou, que me endureceu, me tornou impermeável a muitas coisas boas e ruins. Mas nada é de todo ruim, nem me tornei uma pessoa tão ruim, nem tenho uma vida ruim. Queria ao menos ter a leveza no sorriso que eu tinha quando tinha 15 anos.

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