Sobre amor de mãe

Hoje, numa visita ao consultório do dentista, me deparo com uma reportagem numa revista Marie Claire sobre várias formas da maternidade. Acabou ocorrendo-me que também tenho uma forma variada de maternidade. Sou mãe solteira. E há pouco tempo acabo de me descobrir mãe emprestada de outras crianças. Casei-me de pouco com um pai solteiro de 3 crianças.

Para quem nunca esperava ter filhos e achava que um era demais, até que me saio muito bem com todos em casa. Sempre achei que ser mãe era um grande problema, mesmo só tendo um filho. Agora que tenho muitos, tenho que reconhecer que ser mãe, é sobretudo um enorme prazer. Cada filho com sua particularidade, seu jeito de demonstrar carinho, sua maneira de pensar, suas preferencias e sua forma de sofrer.  São pequenos adultos em formação. Por muitas vezes me peguei em oração pedindo amor de mãe, pedindo sabedoria para enfrentar a barra que é ganhar de uma hora pra outra essa grande responsabilidade. E ganhei!

Não importa como a maternidade chega, em algum momento você vai acordar de madrugada, olhar exausta para aquele rostinho indefeso e vai pensar “vale a pena”. Sempre vai encontrar nesse pensamento, um estímulo para dar o próximo passo, mesmo estando com o corpo cansado, mesmo morrendo de sono, uma mãe sempre vai levantar seu corpo cansado em socorro do seu filho, e por mais que por dentro sangre, uma mãe sempre vai se esforçar para esboçar um meio sorriso, só pra agradar. É aquele doce a mais no pote, aquele abraço que ampara, aquela ralhada que faz edificar. Por muitas vezes me pego olhando para as crianças brincando e penso: obrigada! Porque muito mais do que instruí-los, formá-los, e compartilhar de momentos maravilhosos, são eles que me ensinam coisas, é uma troca sem fim.

Pois o que é a maternidade senão a cessão de um amor inexplicável por outro ser, totalmente descompromissado, totalmente devocional, de uma forma desesperada mas paradoxalmente moderado a ponto de permitir que o outro ser descubra-se. A maternidade para mim inicialmente era sinônimo de dor, de abandono e de uma grande sensação de vazio, que com o passar dos anos foi se transformando magicamente num enorme sentimento, que tomou conta de mim. E hoje posso dizer seguramente que não poderia viver sem meu filho, sem meus filhos.

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