Da boca pra fora

Quando o que sentimos, transborda no peito, temos que colocar pra fora.

Nem sempre o que se sente é amor, nem sempre o que se sente é dor, nem sempre o que se sente é mágoa. Mas quando é mágoa, magoamos. Quando é dor, choramos. Mas quando é amor, ah, o amor. Esse sim pode nos confundir os sentidos, pode nos tirar a razão, pode fazer-nos trocar as pernas, levar-nos ao desatino, e fazer vacilar a nossa consciência.

Porque se for correspondido nos traz grande efusividade, uma alegria inexplicável que não contemos no peito, nos faz sorrir até para o trem lotado, para o motorista que nos corta no trânsito. O amor correspondido nos deixa tão atordoados de felicidade que nada importa, tudo vale a pena, todo esforço empregado ainda não é o bastante, sempre queremos mais de tudo. O mundo tem sol mesmo quando está nublado.

Mas quando o amor, não é correspondido, esse amor se perde, e não existe forma de se sentir motivado a transferí-lo. Porque por mais que o sol brilhe, todos os dias estão cinzentos, por mais que se esteja numa festa, a falta da pessoa amada parece desligar a música. Não se implora atenção, não se exige amor.  É preciso que ele seja dado de bom grado, voluntariamente. E por mais que haja esforços para continuar, enquanto houver essa falta, a mágoa se cria, a dor se instala e nada mais vale a pena.

E se a boca fala do que está cheio o coração, não consigo outra coisa senão frases espinhudas de quem sorri para esconder uma lágrima.

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