Minha vida também é um romance

Acabo de ler “Zélia, uma paixão – por Fernando Sabino”, que na verdade, poderia ser por Zélia mesmo. Se de início o livro descrevia a vida burguesa de viagens intermináveis e jantares e aventuras da ex-ministra, após sua entrada na vida de Collor, a história tomou um rumo surpeendente que não me deixava largar o livro. Do meio pro final li de uma sentada.

Mas o que mais me impressionou, foi conhecer a fragilidade dessa personalidade forte e saber que compartilho dos mesmos sonhos: Ser feliz com alguém.

Outro ponto que divido com Zélia é ter sido vítima de uma grande conspiração amorosa, de um engodo. Que no fim das contas, descubro, envergonhada que a maior culpada fui eu de me permitir viver um romance, anos atrás, com um homem comprometido. Um romance consolidado de muitas promessas infundadas de que largaria a família para viver comigo.

Tenho certeza que muitas mulheres viveram esse drama, de ser isolada, de ser conduzida, para que ficasse ao bel prazer de ser enganada por algum aproveitador, fragilizada pelo seu sonho de ser amada, de ter alguém que a admira; Mas que acaba se condenando com aquelas palavras de mel, e afunda na solidão de esperar, de aceitar migalhas de afeto, o que transforma esse “romance” num período de sofrimento físico e psíquico, de lágrimas, de terror, de medo. Medo de ficar sozinha, de ser trocada, de ter menos valor que a matriz. E sabe o que é pior? Com tudo isso, perdemos tudo! Não só o valor, mas nosso amor prórpio, nosso respeito. e descobrimos que a matriz tem realmente valor e que nós temos que nos pôr em nosso lugar. Ficamos mal-faladas. Ninguém acredita que fomos enganadas! Somos os algozes de um lar feliz. Feliz? Não era isso que ele dizia!

Não adianta dizer,  ninguém acredita. O que nos resta é ficar dias esperando um telefonema, evitar sair, porque ele exigiu que a gente não ficasse exposta. E quando a gente não sai, não vê ele vivendo a vida livremente e nós, enclausuradas, no nosso sofrimento ao lado do telefone, vendo os dias passarem gotejado,  minuto a minuto sem nenhum contato, e depois somos caladas com uma desculpa, para sermos usadas pelo nosso sonho de felicidade.

Doce sofrimento de tentar ser feliz. Não adianta ninguém falar. A gente não enxerga. Mas um dia, a gente acorda, enxuga as lágrimas e percebe que deixou de viver e nunca mais quer ouvir falar da pessoa. E aí, acorda-se para um mundo novo, cheio de possibilidades, que a gente nunca pensou que existisse. Quando isso acontece, a gente percebe quanto tempo perdeu e o véu da paixão cai para dar lugar a uma visão de vida nova, de total resignação.

E se a gente tiver sorte, encontra alguém solteiro (como eu encontrei), que não te esconde, que faz questão de te acompanhar, de respeitar e compartilha de idéias e sonhos como você. Então, se você está nessa canoa furada, desencna, menina! Um dia você acorda e vê que esse príncipe tem varios defeitos, não passa de um sapo e que fora do seu quarto e longe do seu celular e da clandestinidade, tem um mundo lindo, colorido e cheio de humor  (e de amor verdadeiro) que você pode desfrutar! E ele? Nem valia isso tudo!

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