Será que é isso mesmo?

Quando eu era adolescente eu escrevia poema, eu tinha amigos por correspondência e eu acreditava na campanha do criança esperança. Eu tinha um skate pra fazer fita mas eu sempre andei mesmo era de patins. E ainda vou ter outro. Eu usava cabelo rosa e piercing no nariz, dizia que era banger pra chamar atenção. Nunca gostei de rock. Gosto mesmo é de carnaval. Nunca viajei. Eu ia mais na praia. Quando se faz ensino médio se tem tempo pra tudo mas não se faz nada. Hoje quero tempo pra fazer nada, mas tenho que fazer tudo. Viver só depende de mim e ao chorar só se comove a si mesmo.

Fazer parte de uma família é muito aconchegante. Querer ter a sua própria é outra história. Uma história muito complicada. Descobri que aquela pessoa que fica atrás da cortina é aquela em que se deve confiar, e que não se deve adiar uma decisão. Ao arriscar, às vezes a gente pode ganhar. Fiquei muito tempo com medo de perder. Eu e minha mania de só jogar pra ganhar. Sempre dou tiros na água!

Falo demais e esqueço tudo. Estou cada vez com menos audição. Vou ficar uma velha gagá. Mas quero ficar gagá com Botox. Senil, mas muito chique.

No inicio do ano eu achei que eu ia ser uma grande administradora, acabei de me tornando empregada de luxo. No ano passado eu achava que eu ia mudar o mundo, hoje eu percebi que posso fazer qualquer coisa. No início do ano eu perdi completamente a fé na humanidade e durante o ano eu a perdi muitas vezes. Talvez hoje eu a tenha perdido mais uma vez. Quando acordo de manhã tem duas coisas que me motivam:

– Falta menos do que antes!

– Todo meu esforço será recompensado!

Mas ao fim deste ano eu percebo que falta tanto quanto antes, e a recompensa é uma fraude. Eu queria trabalhar e estudar, curtir meu filho e formar minha família. Este ano só consegui trabalhar. Meu filho tem 5 anos e só me dou conta que ele cresce porque as roupas ficam curtas. Quando saio ele ainda dorme, quando chego já adormeceu.  Este ano me dei conta de que certas coisas simplesmente acontecem e não é culpa de ninguém, e mesmo assim a culpada sou eu.

Preciso parar de falar de grana. Preciso parar de precisar de grana. Vou montar uma comunidade sustentável, hehehe. Claro que não! Isso não combina com meu jeito tecnológico de ser.

Ganhei um Aurélio. Sempre quis ter um! E agora? O que mais vou querer?

O que eu vou ser quando crescer? Nem sei se eu já sou. Nem sei por quanto tempo. Pra falar a verdade, vou ser até dezembro e depois eu já nem sei.  Preciso de um Havianas, meu filho também. Preciso andar de bicicleta, meu filho também. Preciso de carinho, meu filho também.

Hoje eu vi o mar, e ouvi músicas antigas. Eu tinha outros sonhos, e eram outros momentos…O futuro, será que é isso mesmo?

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