Mal costume feio esse o meu de prestar atenção na vida alheia.
Com o tempo fui enchendo o saco do papo das pessoas. Acabei me viciando em observar, às vezes até me surpreendo encarando alguém, tirando minhas próprias conclusões sobre o que a pessoa está pensando.
Pois eu estava dançando. Sexta-feira. Casa cheia, homens e mulheres bebendo, dançando, paquerando… foi quando eu bati o olho num grupo: rapazes bonitos, jovens, bem vestidos, camisetas transadas, dentes brancos, lindos! Todos acompanhados das mulheres mais escalafobéticas que eu já vi. Mas tinha uma (todas) bem estranha. Grande demais, esquisita demais, grosseira demais: Meu Deus! Era um travesti!
Eu queria contar, comecei a sentir pena do rapaz ali, se sentindo o pegador, entre seus amigos, se vangloriando por estar com uma mulher pernuda, bunduda, braçuda, peituda. Mas “uda” demais, era pernuda demais, braçuda demais. Será que ele não tinha percebido? Será que ele sabe? Será que os amigos sabem? Será que é pegadinha? – procurei uma câmera. Eu tava ficando nervosa. Ia contar!
Aquele pomo-de-Adão gritando no pescoço do cara, mulher, traveco, sei lá o que, e ninguém tinha visto? Minhas mãos suavam, minha boca tava seca. Eu tava desesperada.
Procurei entre os rostos dos amigos pra ver se algum era conhecido e nada. Mas se fosse? Como eu ia contar. Ai que agonia. Saí pra me divertir e to aqui preocupada com a vergonha que o rapaz vai passar! Um absurdo!
Me lembrei de quando, num casamento, saí do banheiro com a saia pra dentro da meia-calça e minha bunda toda de fora. Era a mesma vergonha!Que horror! – Comecei a senti falta de ar: Mas o que é isso?
- Deixa de ser abelhuda sua idiota! Meta-se com sua vida! - Falou o diabinho travestido de anjo pousado no meu ombro. Fui ao caixa, comprei uma coca-cola e me embrenhei na multidão dançando. Quanto mais velha fico, mais além da imaginação eu vou.














Estou desconfiado que eram todos travecos, uns travestidos, outros não, o único problema foi a bicha pobre que ainda não teve dinheiro pra “se fazer”
Beijo